Tour de France 2027 terá 71 km de contrarrelógio e etapa decisiva nos Pireneus; veja o percurso
O Tour de France 2027 terá dois contrarrelógios individuais que somam 71 quilômetros, uma sequência de montanhas nos Alpes e nos Pireneus e largada inédita em Edimburgo, na Escócia. A organização anunciou 21 etapas entre 2 e 25 de julho, em um percurso de aproximadamente 3.479 km e 53.450 metros de desnível acumulado, antes da homologação final. A decisão de montanha mais exigente está prevista para a 18ª etapa, de Pau ao Col du Portet, enquanto o encerramento será em Paris, com passagem por Montmartre segundo os detalhes divulgados para a chegada.

A rota foi apresentada pela Amaury Sport Organisation (ASO) em 22 de outubro de 2026. O desenho equilibra uma quilometragem alta contra o relógio com finais seletivos e uma grande etapa pirenaica. Isso cria oportunidades para especialistas em contrarrelógio, mas também exige que os candidatos à camisa amarela mantenham regularidade nas montanhas e nas etapas acidentadas.
Tour de France 2027: veja as 21 etapas
A tabela abaixo reproduz as distâncias, cidades e categorias indicadas pela rota oficial do Tour de France. A ASO apresenta o total da prova como 3.479 km antes da homologação. Os três dias de descanso não entram na numeração das etapas e aparecem separados após as etapas 3, 9 e 15.
| Etapa | Data | Largada | Chegada | Distância | Perfil oficial |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 jul. | Edinburgh | Carlisle | 185 km | Plana |
| 2 | 3 jul. | Keswick | Liverpool | 223 km | Acidentada |
| 3 | 4 jul. | Welshpool | Cardiff | 223 km | Acidentada |
| 5 jul. — descanso e transferência para Cherbourg-en-Cotentin | |||||
| 4 | 6 jul. | Cherbourg-en-Cotentin | Cherbourg-en-Cotentin | 171 km | Acidentada |
| 5 | 7 jul. | Pontorson | Plumelec | 178 km | Acidentada |
| 6 | 8 jul. | Vannes | Angers | 193 km | Acidentada |
| 7 | 9 jul. | Blois | Chambord | 38 km | Contrarrelógio individual |
| 8 | 10 jul. | Bourges | Le Creusot | 224 km | Acidentada |
| 9 | 11 jul. | Villars-les-Dombes Parc des Oiseaux | Grand Colombier | 162 km | Montanha |
| 12 jul. — descanso na Haute-Savoie | |||||
| 10 | 13 jul. | Annecy | Sallanches | 171 km | Montanha |
| 11 | 14 jul. | Cluses | Les Saisies | 150 km | Montanha |
| 12 | 15 jul. | Chambéry | Valence | 162 km | Plana |
| 13 | 16 jul. | Aubenas | Montpellier | 164 km | Plana |
| 14 | 17 jul. | Montpellier | Mende | 199 km | Montanha |
| 15 | 18 jul. | Rodez | Albi | 169 km | Acidentada |
| 19 jul. — descanso em Toulouse | |||||
| 16 | 20 jul. | Toulouse | Toulouse | 33 km | Contrarrelógio individual |
| 17 | 21 jul. | Muret | Pau | 186 km | Plana |
| 18 | 22 jul. | Pau | Saint-Lary-Soulan Col du Portet | 174 km | Montanha |
| 19 | 23 jul. | Hasparren | Laruns | 160 km | Montanha |
| 20 | 24 jul. | Maubourguet | Libourne | 198 km | Plana |
| 21 | 25 jul. | Saint-Quentin-en-Yvelines | Paris Champs-Élysées | 116 km | Plana |
O percurso começa nas estradas do Reino Unido. A largada em Edimburgo será a mais ao norte da história do Tour; depois, o pelotão cruza Inglaterra e País de Gales antes de retornar à França após o primeiro descanso. A prova passa por nove regiões e 31 departamentos franceses. A edição será a 28ª com Grande Départ fora da França e a terceira iniciada no Reino Unido, depois de Londres, em 2007, e Yorkshire, em 2014. O trajeto reúne sete etapas planas, seis acidentadas, seis de montanha e dois contrarrelógios, segundo a classificação da organização.
Os 71 km de contrarrelógio podem mexer com a camisa amarela
O primeiro teste individual acontece na 7ª etapa, em 9 de julho: 38 km entre Blois e o Château de Chambord, com cerca de 200 m de desnível. O segundo está marcado para 20 de julho, na 16ª etapa, em um circuito de 33 km em Toulouse, também com aproximadamente 200 m de desnível. Juntos, os dois percursos somam 71 km — a maior quilometragem de contrarrelógio individual do Tour desde 2012, de acordo com a ASO.

Em uma disputa individual, cada ciclista larga em um intervalo e vence quem completa o trajeto no menor tempo. A distância amplia o peso da aerodinâmica e da capacidade de sustentar ritmo alto por longo período. Um especialista pode construir vantagem significativa antes dos Alpes e dos Pireneus; em contrapartida, precisa limitar perdas nas subidas. Por isso, a presença de dois cronos longos não torna automaticamente a rota favorável a um corredor específico: a capacidade de escalar e recuperar-se entre etapas continuará decisiva.
Os perfis oficiais indicam traçados pouco montanhosos para os dois cronos. O de Blois termina junto ao Château de Chambord; o de Toulouse é disputado inteiramente na mesma cidade. Como os tempos e horários definitivos dependem da homologação e da publicação dos guias técnicos, a análise de curvas, vento e pontos intermediários deve aguardar os mapas detalhados da prova.
Pireneus concentram a etapa mais exigente
A 18ª etapa, em 22 de julho, parte de Pau e termina no Col du Portet, após 174 km e 5.400 m de desnível acumulado. O Col du Portet fica a 2.215 m e é o ponto mais alto do percurso. A ASO confirmou que o trajeto inclui o Col du Tourmalet e a Hourquette d’Ancizan antes da subida final. O desenho coloca uma sequência de ascensões duras no fim da terceira semana, quando a fadiga acumulada tende a tornar cada diferença mais custosa.
Chegar ao Portet depois de outras subidas muda a maneira de correr: a equipe precisa decidir quando proteger o líder, quando controlar a fuga e quanto esforço reservar para a subida final. Para os aspirantes à geral, a etapa oferece uma oportunidade para atacar, mas também cria risco de perder tempo se a gestão do esforço falhar. A 19ª etapa, de Hasparren a Laruns, mantém o pelotão nas montanhas no dia seguinte, prolongando a pressão sobre os candidatos.
Outros finais em montanha incluem o Grand Colombier, na etapa 9, e Les Saisies, na etapa 11. A rota atravessa primeiro o Maciço Central e o Jura, segue pelos Alpes e chega aos Pireneus na parte final. O Col du Portet será o principal ponto de altitude, mas a sequência de dias seletivos — em vez de uma única subida — deverá moldar a classificação geral.
O que o percurso pode significar para Pogačar, Vingegaard e Evenepoel
O desenho reúne fatores que costumam favorecer perfis diferentes. Tadej Pogačar e Jonas Vingegaard têm histórico de alto rendimento em alta montanha, enquanto Remco Evenepoel é reconhecido por sua força contra o relógio. Os 71 km de crono podem oferecer a Evenepoel oportunidade de ganhar tempo, mas a etapa do Portet e os demais finais de montanha testam sua capacidade de defender essa vantagem. Para Pogačar e Vingegaard, os dois cronos aumentam a importância de não ceder tempo excessivo nas etapas individuais.
Essa leitura é sobre características esportivas e não confirma a participação de nenhum deles. Em outubro de 2026, as equipes ainda não divulgaram os calendários completos para julho de 2027. A composição do percurso permite identificar oportunidades e desafios, mas não prever campeão nem substituir o desempenho observado na estrada.
Edimburgo recebe a largada, Paris fecha o Tour
A largada em Edimburgo abre três etapas britânicas, com passagens por Carlisle, Liverpool e Cardiff. Além do valor esportivo, o Grande Départ leva a prova a novos públicos e apresenta um trecho inicial que combina uma etapa plana com duas classificadas como acidentadas. Após o descanso e a transferência para a França, as primeiras jornadas incluem estradas onduladas da Normandia e da Bretanha antes do primeiro contrarrelógio.
A chegada da 21ª etapa está prevista para 25 de julho em Paris, com partida em Saint-Quentin-en-Yvelines e 116 km no total. A organização mantém a categoria oficial de etapa plana. Relatos da apresentação indicam uma passagem por Montmartre antes do circuito dos Champs-Élysées, o que pode acrescentar uma atração ao encerramento; os detalhes finais da sequência e do circuito devem ser conferidos no roadbook oficial quando publicado.
O Tour termina a corrida em 25 de julho, mas a temporada masculina da UCI WorldTour prossegue depois disso. O Tour of Guangxi, na China, está previsto para outubro e fecha o calendário WorldTour de 2027; portanto, o Tour de France não encerra a temporada internacional. As classificações anuais da UCI são uma disputa separada dos resultados desta edição da Grande Volta.
Quando será o Tour de France 2027 e onde acompanhar?
A prova masculina está programada para 2 a 25 de julho de 2027. Até a apresentação do percurso, não há confirmação de horários detalhados nem da transmissão no Brasil. As informações de TV e streaming devem ser verificadas mais perto da largada, quando organizadores e emissoras divulgarem a programação.
Confira o percurso completo e os perfis oficiais da ASO. Leia também no Bike Rolê: Pogačar encerra a temporada de 2026 e as últimas notícias do ciclismo profissional.
Fontes e critérios
O roteiro, as distâncias, a classificação dos perfis, os dias de descanso, os totais de quilometragem e desnível e os dados dos contrarrelógios foram conferidos na página oficial de percurso da ASO. Para a leitura de contexto e a informação sobre Montmartre no final, foram consultados relatos da imprensa especializada, incluindo Cycling Weekly e a cobertura internacional da apresentação. Distâncias secundárias divergentes foram ajustadas ao quadro oficial: por exemplo, a ASO lista 171 km para as etapas 4 e 10.
