Dona da Pinarello compra participação na Campagnolo: o que muda
A Campagnolo anunciou a entrada da SPAC SA, holding suíça ligada à Pinarello, como nova acionista minoritária. O acordo representa uma mudança histórica para a fabricante italiana de grupos e rodas, que permaneceu sob controle familiar desde sua fundação, em 1933.
Os valores da operação e o tamanho exato da participação não foram divulgados. A conclusão do negócio é esperada para as próximas semanas e ainda depende das condições habituais para esse tipo de transação.
Imagem de destaque: bicicleta Pinarello equipada com componentes e rodas Campagnolo. Foto: Pinarello / divulgação.
Campagnolo continuará sob controle da família
Apesar da entrada de um investidor externo, a família Campagnolo permanecerá como acionista majoritária e conservará o controle operacional da companhia. A sede continuará em Vicenza, na Itália, preservando a identidade e a tradição de engenharia italiana construídas ao longo de mais de nove décadas.
Portanto, não se trata de uma venda completa da Campagnolo nem de uma fusão com a Pinarello. A SPAC SA entra como sócia minoritária e fornecerá capital, experiência estratégica e apoio ao processo de transformação da empresa.
Quem é a SPAC SA?
A SPAC SA é uma holding de investimentos sediada em Zurique, na Suíça. A empresa já possui interesses no mercado de ciclismo, incluindo a Pinarello. Reportagens do setor relacionam a holding ao empresário sul-africano Ivan Glasenberg, ex-CEO da Glencore e investidor também ligado à marca de roupas Q36.5 e à equipe profissional Pinarello Q36.5.
Glasenberg assumiu o controle da Pinarello em 2023, quando a participação anteriormente pertencente à L Catterton foi vendida. O valor daquela operação não foi oficialmente divulgado, embora veículos especializados tenham mencionado aproximadamente 200 milhões de euros.
No anúncio atual, a Campagnolo não revelou quem são os acionistas individuais por trás da SPAC SA. A informação confirmada é que a holding possui outros investimentos no ciclismo e que a Pinarello está entre eles.
Por que a Campagnolo buscou um novo investidor?
A indústria da bicicleta vive uma transformação acelerada. Eletrônica, conectividade, integração dos componentes e acordos de fornecimento direto para fabricantes ganharam importância, enquanto Shimano e SRAM ampliaram sua presença nas bicicletas de fábrica e no pelotão profissional.
A Campagnolo pretende usar os novos recursos para acelerar o desenvolvimento de produtos, modernizar suas operações, fortalecer a cadeia de fornecimento e ampliar o negócio OEM — quando os componentes já saem instalados nas bicicletas pelas próprias fabricantes.
O plano também inclui novos investimentos nas marcas Campagnolo e Fulcrum, além de uma aproximação maior com equipes profissionais e com o ciclismo de elite. Essa presença é importante não apenas para exposição de marca, mas também para testar produtos no nível mais exigente da modalidade.
Movimento acontece durante renovação dos grupos
A chegada da SPAC SA ocorre depois de uma sequência importante de lançamentos. A Campagnolo apresentou o Super Record Wireless de 12 velocidades em 2023, redesenhou sua plataforma com o Super Record 13 em 2025 e ampliou a nova geração com o Record de 13 velocidades em 2026.
Os produtos mais recentes receberam avaliações positivas, mas a empresa ainda enfrenta o desafio de recuperar espaço comercial e presença no ciclismo profissional. O investimento pode dar mais velocidade a esse processo e ajudar a Campagnolo a competir em tecnologia, distribuição e disponibilidade de componentes.
Pinarello poderá voltar a usar Campagnolo?
A ligação entre os investidores naturalmente desperta especulações sobre futuras bicicletas Pinarello equipadas com grupos Campagnolo. Atualmente, porém, não existe anúncio de um acordo desse tipo.
A própria Campagnolo afirmou que continuará operando de maneira totalmente independente dos demais investimentos da SPAC SA, incluindo a Pinarello. As relações com fabricantes de bicicletas e parceiros comerciais também continuarão sendo negociadas separadamente.
Isso significa que a participação minoritária não obriga a Pinarello ou a equipe profissional ligada à marca a utilizar componentes Campagnolo. Uma aproximação futura é possível, mas, por enquanto, permanece apenas como uma possibilidade estratégica.
O que pode mudar para o ciclista?
No curto prazo, nada muda na compatibilidade, assistência ou disponibilidade dos produtos. O impacto mais provável aparecerá ao longo dos próximos anos, por meio de novos grupos eletrônicos, rodas, maior integração com fabricantes e uma presença mais forte nas competições.
Para o mercado, a operação reúne sob o mesmo grupo de investidores duas referências históricas do ciclismo italiano. Ao mesmo tempo, a manutenção do controle pela família Campagnolo e a promessa de independência buscam proteger a identidade da marca.
O ponto principal é que a Campagnolo ganha recursos para tentar recuperar protagonismo sem abrir mão, ao menos neste momento, de sua gestão familiar e de sua produção ligada à Itália.
Fontes consultadas: BikeRadar e comunicado da Campagnolo, Bicycle Retailer and Industry News e Endurance Sportswire.
