Remco Evenepoel faz história e conquista quarto título mundial consecutivo no contrarrelógio
Remco Evenepoel escreveu mais uma página dourada na história do ciclismo mundial. Neste domingo (20), o belga da Soudal Quick-Step cruzou a linha de chegada do contrarrelógio masculino do Mundial de Ciclismo de Estrada 2026, em Montréal, com o tempo de 44min53s13 e conquistou seu quarto título consecutivo na prova — um feito inédito na história do esporte. O segundo lugar ficou com o italiano Filippo Ganna (+57s31) e o pódio foi completado pelo revelação francesa Paul Seixas (+1min13s04).
A prova cobriu 46,4 km pelas ruas de Montréal, com um traçado exigente marcado por um início e uma chegada técnicos. Confira a programação completa e os percursos do Mundial 2026 em Montréal.
Domínio absoluto desde os primeiros quilômetros
Evenepoel partiu com tudo e já na primeira marcação de tempo, após 6 km, abriu vantagem considerável sobre o restante do pelotão. O próprio campeão admitiu que pensou ter saído rápido demais — mas a realidade era outra: ele simplesmente estava em um nível acima de todos os adversários.
“Foi fantástico. O objetivo era vencer aqui, e o fato de poder fazê-lo pela quarta vez foi uma enorme motivação para mim. Já havia uma marcação de tempo após 6 quilômetros, e naquele ponto eu já estava bem à frente da concorrência. Pensei que tinha saído rápido demais e começado em ritmo excessivo, mas simplesmente tinha pernas incríveis”, declarou Evenepoel após a prova.
Filippo Ganna foi o único a chegar perto, cruzando a linha 57 segundos atrás. O italiano, bicampeão mundial de contrarrelógio (2020 e 2021), confirma-se como o mais constante adversário de Evenepoel nesta disciplina, mas segue sem conseguir superar o belga quando ambos estão no auge da forma.
Resultado: Top 10 do contrarrelógio masculino
| Pos. | Ciclista | País | Tempo | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| 1º | Remco Evenepoel | 🇧🇪 Bélgica | 44:53.13 | — |
| 2º | Filippo Ganna | 🇮🇹 Itália | 45:50.44 | +57s31 |
| 3º | Paul Seixas | 🇫🇷 França | 46:06.17 | +1min13s04 |
| 4º | Brandon McNulty | 🇺🇸 EUA | 46:18.40 | +1min25s27 |
| 5º | Jakob Söderqvist | 🇸🇪 Suécia | 46:19.31 | +1min26s18 |
| 6º | Isaac del Toro | 🇲🇽 México | 46:31.96 | +1min38s83 |
| 7º | Stefan Küng | 🇨🇭 Suíça | 46:37.57 | +1min44s44 |
| 8º | Kasper Asgreen | 🇩🇰 Dinamarca | 46:41.67 | +1min48s54 |
| 9º | Daan Hoole | 🇳🇱 Holanda | 46:55.34 | +2min02s21 |
| 10º | Callum Thornley | 🏴 Grã-Bretanha | 46:55.92 | +2min42s79 |
Paul Seixas: a revelação que roubou o pódio
A grande surpresa da prova foi o bronze de Paul Seixas. Com apenas 19 anos — ele completa 20 no próximo dia 24 de setembro —, o francês da Decathlon CMA CGM Team subiu ao pódio do Elite Mundial pela primeira vez na carreira, em uma prova recheada de especialistas consagrados.
Seixas chegou ao Mundial já com credenciais de sobra: foi campeão mundial júnior de contrarrelógio em 2024 e, na temporada 2026, acumulou conquistas de alto nível, incluindo a Volta ao País Basco e a La Flèche Wallonne. Ele também figurou entre os melhores no Tour de France, terminando em 4º lugar na classificação geral. O bronze em Montréal confirma que Seixas é um dos grandes nomes do ciclismo para os próximos anos.
Henrique Avancini termina em 39º

O representante brasileiro, Henrique Avancini (Cannondale-Pirelli), completou os 46,4 km em aproximadamente 49min22s, chegando na 39ª posição com uma diferença de cerca de 4 minutos e 29 segundos para o campeão. A velocidade média registrada pelo mountain biker foi de 47,6 km/h — um número expressivo para um atleta cuja especialidade não é o contrarrelógio de estrada.
Avancini encarou o desafio do CRI como parte de uma temporada que incluiu participações tanto no MTB quanto na estrada. Leia mais sobre a participação dele nesta edição do Mundial: Henrique Avancini no Mundial de Ciclismo 2026: horário e resultado do contrarrelógio.
Um recorde que a história vai lembrar
Com o título desta tarde, Remco Evenepoel tornou-se o primeiro homem a conquistar quatro títulos mundiais consecutivos no contrarrelógio. Antes dele, os maiores especialistas da história da prova — como Fabian Cancellara (2006, 2007, 2009 e 2010) e Tony Martin (2011, 2012, 2013 e 2016) — também acumularam quatro títulos cada, mas nunca de forma consecutiva.
A sequência de Evenepoel começou em Glasgow 2023, passou por Zurique 2024 e Kigali 2025, e chega agora ao ápice em Montréal 2026. Quatro anos, quatro arco-íris. Uma sequência que nenhum outro homem jamais havia alcançado na prova mais técnica do ciclismo de estrada.
“Foi uma prova muito rápida, mas estou muito feliz com a forma como me senti. Foi um percurso exigente, com um início e uma chegada muito técnicos”, acrescentou o campeão belga.
Aos 24 anos, Evenepoel já coleciona um currículo que poucos ciclistas constroem ao longo de toda uma carreira. E com a estrada de Montréal, ficou mais uma vez claro: quando o belga está no dia, não há cronômetro que o pare.

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