Pidcock troca Zipp por rodas Partington cerca de 200 g mais leves no Mundial
A decisão técnica chamou atenção no paddock: Tom Pidcock entrou em Montréal com rodas que ele não usa na temporada regular, optando pela australiana Partington em vez das Zipp 454 NSW da INEOS Grenadiers.
Para a elite do pelotão profissional, cada grama conta — principalmente quando se trata das rodas, que giram e precisam ser aceleradas a cada pedalada. No Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada 2026, em Montréal, Tom Pidcock foi além: optou por trocar as rodas de carbono que a INEOS Grenadiers utiliza ao longo da temporada pelas australianas Partington R-Series Performance, declaradas como cerca de 200 g mais leves que as Zipp 454 NSW.
Por que isso é possível no Mundial
No Campeonato Mundial, os corredores competem sob as cores de suas seleções nacionais, não de suas equipes. Isso lhes dá uma liberdade técnica que não existe durante o restante da temporada: podem usar componentes de marcas diferentes das que patrocinam seus times. Pidcock, que normalmente pedala com o kit completo da INEOS Grenadiers, aproveitou essa janela para escolher as rodas de sua preferência pessoal.
A Partington é uma marca australiana de rodas de carbono de alta performance, ainda relativamente desconhecida no Brasil, que tem conquistado atenção crescente entre ciclistas exigentes. As R-Series Performance de 50 mm são o produto mais avançado do catálogo.
O que são as Partington R-Series Performance
As R-Series Performance 50 mm chegam com peso declarado de 1.200 g — um número expressivo para rodas de 50 mm de altura, que geralmente carregam mais material e, portanto, mais massa. O aro é do tipo hooked (com gancho), compatível com uso tubeless ou com câmara, o que dá flexibilidade ao ciclista na escolha do setup de pneu.
Os raios são de carbono da própria marca — os FLEXON —, com 18 raios na roda dianteira e 21 na traseira. O cubo PERFORM é de alumínio anodizado, com 68 pontos de encaixe. A largura interna é de 23 mm, e a externa chega a 34 mm, favorecendo a montagem de pneus entre 28 e 32 mm, com ponto ideal em 30 mm. A pressão máxima suportada é de 6 bar (87 PSI), e a rigidez lateral declarada é de 42 N/mm.
No Mundial, Pidcock combinou as Partington com pneus Vittoria Corsa Pro Speed de 30 mm tubeless, montados na sua Pinarello Dogma F — a bicicleta de estrada da INEOS Grenadiers.
A comparação com as Zipp 454 NSW
As Zipp 454 NSW são consideradas uma das rodas de alta performance mais avançadas do mercado convencional. Sua característica mais marcante é o perfil ondulado Sawtooth — uma geometria assimétrica que varia entre 53 mm e 58 mm de profundidade ao longo da circunferência do aro, projetada para melhorar a estabilidade aerodinâmica sob rajadas de vento lateral.
O peso declarado é de 1.400 g (sem fita de tubeless e válvula). Os raios são CX-Ray Black em aço, num padrão de duas cruzetas, totalizando 24 raios. O cubo Cognition V2 utiliza rolamentos cerâmicos e tem 66 pontos de encaixe — dois a menos que a Partington. O aro é hookless (sem gancho), o que exige montagem tubeless obrigatoriamente e limita a pressão máxima a 5,0 bar (73 PSI).
| Especificação | Partington R-Series Performance 50mm | Zipp 454 NSW |
|---|---|---|
| Peso declarado | 1.200 g | 1.400 g |
| Profundidade | 50 mm | 53–58 mm (Sawtooth) |
| Largura interna | 23 mm | 23 mm |
| Largura externa | 34 mm | 28 mm max |
| Tipo de aro | Hooked (com gancho) | Hookless (sem gancho) |
| Compatibilidade | Tubeless ou com câmara | Apenas tubeless |
| Raios | 18F / 21R — FLEXON carbono | 24 × CX-Ray Black (aço) |
| Cubo | PERFORM (alumínio, 68 pts) | Cognition V2 (cerâmica, 66 pts) |
| Pressão máxima | 6 bar (87 PSI) | 5 bar (73 PSI) |
| Rigidez lateral | 42 N/mm | — |
| Pneu ideal | 28–32 mm (ideal: 30 mm) | — |
| Preço (par) | USD $5.500 | ~USD $4.200 |
O que 200 g a menos nas rodas realmente significa
A massa rotativa — o peso que gira — tem um impacto no desempenho diferente do peso estático de uma bicicleta. Para acelerar uma roda, o corpo humano precisa vencer tanto a inércia translacional quanto a inércia rotacional. Na prática, isso significa que economizar gramas nas rodas tem um efeito proporcionalmente maior do que economizar a mesma quantidade no quadro ou em qualquer outro componente estático.
Reduções na massa rotativa são especialmente relevantes em percursos com muitas variações de ritmo — acelerações, frenagens, subidas curtas e punchy. Montréal, com seu circuito técnico, trouxe exatamente esse tipo de demanda: ao longo dos 273 km de prova, o pelotão passou por múltiplas acelerações e mudanças de ritmo.
A diferença de 200 g entre as Partington e as Zipp 454 NSW, concentrada nas rodas, representa uma vantagem perceptível nas fases de relançamento e nos sprints de subida. A aerodinâmica das Zipp, com seu perfil mais profundo e o design Sawtooth, pode ter vantagem em trechos rápidos e longos. Mas a aposta de Pidcock foi clara: num percurso exigente em variação de esforço, a massa importa mais que os décimos de watt ganhos na aerodinâmica.
O resultado na prova
Brandon McNulty (EUA) venceu a corrida com uma escapada solo a 32 km do fim, completando os 273,4 km em 6h17min04s. Pidcock terminou no grupo dos perseguidores, a 14 segundos do vencedor. A escolha de rodas não foi suficiente para colocá-lo no pódio, mas sinalizou a seriedade de sua preparação para o evento mais importante do calendário de estrada.
Para o resultado completo da prova elite masculina, incluindo o Top 10 e a situação de Henrique Avancini, confira nossa cobertura completa do Mundial Elite Masculino 2026.
A tendência por trás da escolha
A troca de Pidcock não foi aleatória. Ela reflete uma tendência crescente no pelotão de elite: à medida que marcas menores e especializadas — como a australiana Partington — amadurecem em tecnologia e dados de desempenho, os corredores passam a usá-las nas janelas de liberdade técnica que o calendário permite. O Mundial é a maior dessas janelas.
Com um custo de USD $5.500 o par, as Partington R-Series Performance não são para todos os bolsos. Mas para quem busca o limite do desempenho em carbono — e tem a flexibilidade de escolher suas próprias rodas —, elas entram para o mapa do ciclismo de alta performance com uma estreia que dificilmente passará despercebida.
