Protótipo de MTB Trek com rodas de maior diâmetro — imagem ilustrativa
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MTB aro 32: Trek e Scott testam rodas maiores e Schwalbe já prepara pneus

O aro 29 levou anos para convencer o mundo do MTB. Agora, enquanto o formato ainda domina a elite do cross-country, uma nova fronteira começa a aparecer: rodas de 32 polegadas. Na Copa do Mundo de XCO em Soldier Hollow, Utah, duas das maiores marcas do ciclismo de montanha — Trek e Scott — apresentaram protótipos com rodas maiores. Enquanto isso, a Schwalbe já colocou pneus 32″ no mercado e anuncia versões para MTB. O ecossistema está se formando. Isso significa que o aro 32 vai substituir o 29? Ainda não dá para afirmar. Mas vale muito a pena investigar o que está acontecendo.

MTBs aro 32 aparecem no XC de elite

A temporada de 2026 marcou uma virada simbólica para as rodas de 32 polegadas no mountain bike de competição. Em setembro, Andreas Seewald se tornou o primeiro campeão mundial de XCM a vencer com rodas de 32 polegadas, nos Dolomitas italianos. Antes disso, no Mundial de XCO em Val di Sole, a KTM já havia apresentado uma versão da Scarp XC adaptada para o novo diâmetro, com rodas Mavic e garfo Fox RAD.

A Schwalbe divulgou pneus 32″ para gravel e anunciou versões para MTB. E a UCI tomou uma decisão importante: as rodas maiores não serão banidas do World Cup de XCO. “O ciclismo de montanha é o laboratório do ciclismo, com regras muito limitadas”, disse Fabrice Tiano, gerente sênior de comunicações da UCI. A única restrição existente é que as duas rodas precisam ter o mesmo tamanho — sem configurações mistas como 32″ na frente e 29″ atrás.

Com o aval da UCI e o interesse crescente da indústria, a Copa do Mundo de Soldier Hollow, em setembro de 2026, trouxe o próximo capítulo: Trek e Scott estreando seus próprios protótipos de aro 32 no cenário competitivo.

Trek testa protótipo de aro 32 em Soldier Hollow

A Trek não chegou discretamente. Antes do evento, a marca usou o Instagram para revelar o novo projeto — um quadro completamente novo, desenvolvido do zero especificamente para as rodas de 32 polegadas, e não uma adaptação de modelos existentes como a Supercaliber ou a Top Fuel XC.

O que se sabe sobre o protótipo Trek 32″:

  • Quadro inédito, com design diferente dos modelos atuais da marca
  • Mantém o conceito de flex stay, mas sem o sistema IsoStrut
  • Guidão com inclinação fortemente negativa para manter baixo centro de gravidade e tração nas subidas
  • Garfo RockShox SID de 32″ em versão protótipo, com sistema Flight Attendant de ajuste eletrônico
  • Pneus Pirelli (modelo específico não divulgado)
  • Pilotos envolvidos nos testes: Evie Richards e Riley Amos, da equipe Trek-Unbroken XC

A Trek não anunciou planos de produção em série para o modelo 32″. O que foi visto em Soldier Hollow é um protótipo de desenvolvimento, e qualquer interpretação além disso é especulação.

Scott Spark com rodas 32″ privilegia ciclistas mais altos

A equipe Scott-SRAM também apresentou um protótipo da Spark RC em versão 32″ em Soldier Hollow. O detalhe mais revelador: apenas os pilotos mais altos da equipe utilizaram o novo formato.

Fabio Püntener, com 193 cm, e Filippo Colombo, com 184 cm, rodaram com o protótipo 32″. Os demais integrantes da equipe Scott-SRAM mantiveram a Spark RC convencional de 29 polegadas.

O que se sabe sobre o protótipo Scott Spark 32″:

  • Baseado na Spark RC, aparentemente sem alterações estruturais visíveis no quadro
  • Possível aumento no comprimento do chainstay para acomodar a roda traseira maior
  • Garfo RockShox SID de 32″ em versão protótipo, com Flight Attendant
  • Stem com offset negativo
  • Apenas pilotos acima de 184 cm utilizaram o formato 32″

A Scott também não confirmou planos de lançamento comercial da Spark 32″.

Trek e Scott: o que foi confirmado e o que ainda é especulação

É importante ser preciso aqui. O que está confirmado:

  • Trek desenvolveu um quadro novo para rodar 32 polegadas
  • Scott utilizou um protótipo da Spark RC em 32″
  • Ambas as equipes testaram os protótipos em competição na Copa do Mundo de Soldier Hollow
  • Pirelli e RockShox (SID) estão envolvidos no desenvolvimento de componentes compatíveis

O que ainda não foi confirmado:

  • Nenhuma das duas marcas anunciou uma MTB 32″ para venda ao consumidor
  • Não há geometrias publicadas para nenhum dos protótipos
  • Não há dados de desempenho divulgados pelas marcas
  • Não há declaração pública de Trek ou Scott sobre o futuro do formato

Protótipo não é produto. O aparecimento de uma bicicleta de teste em competição indica interesse de desenvolvimento — não um lançamento iminente.

Schwalbe prepara o ecossistema do aro 32

Uma bicicleta 32″ só se torna viável em larga escala se existir um ecossistema completo: pneus, aros, rodas, garfos e quadros compatíveis. É aí que a Schwalbe entra como peça fundamental.

A fabricante alemã lançou oficialmente seus primeiros pneus de 32 polegadas. Por enquanto, os modelos disponíveis são voltados para o gravel:

  • Schwalbe G-One RS Pro — disponível nas larguras 50 mm e 55 mm
  • Schwalbe G-One RX Pro — disponível nas larguras 50 mm e 55 mm

O diâmetro nominal ETRTO dessas rodas é de 686 mm — contra os 622 mm do aro 29. Os 64 mm adicionais de diâmetro são o que define o “32 polegadas” como categoria.

Para o MTB, a Schwalbe ainda não tem produtos no mercado, mas a empresa já declarou formalmente que pneus 32″ para mountain bike estão planejados para abril de 2027. Jakob Maßen, gerente de produtos da Schwalbe, foi direto: “We are fully convinced of this new technology, and we will be introducing new products in this size in 2027.” Ele acrescentou que os testes de laboratório e campo revelaram vantagens concretas, apesar do ceticismo inicial.

Felix Schäfermeier, responsável pelo gerenciamento de produtos, complementou: os testes revelaram benefícios tangíveis de desempenho, e “isso também abre potencial para outras categorias, sem diminuir a relevância de outros tamanhos.”

Além da Schwalbe, a Pirelli já fornece pneus 32″ para o protótipo da Trek. A Mavic forneceu rodas para a KTM. A RockShox desenvolveu versões de protótipo do SID para 32″. O ecossistema ainda é pequeno — mas está se formando com nomes relevantes.

MTB aro 32 é melhor que aro 29?

Não existe uma resposta simples. O que existem são princípios físicos que sugerem como um diâmetro maior pode — ou não — se traduzir em vantagens reais. A ciência indica algumas direções; a prática em competição ainda tem muito a revelar.

Possíveis vantagens das rodas de 32″:

  • Menor ângulo de ataque sobre obstáculos: uma roda maior “sobe” em obstáculos com menos resistência geométrica. Para um obstáculo de tamanho fixo, o ângulo de ataque de uma roda de 686 mm é menor do que o de uma de 622 mm, o que reduz o esforço necessário para transpô-lo.
  • Manutenção de velocidade: rodas maiores tendem a manter melhor o momentum em terreno irregular, perdendo menos velocidade em irregularidades do solo.
  • Estabilidade e área de contato: com um raio maior, a pegada do pneu no solo tende a ser mais longa (em vez de mais larga), o que pode melhorar a tração em subidas e a estabilidade em alta velocidade.
  • Conforto em terreno técnico: a maior área de contato e o menor ângulo de ataque combinados resultam em uma percepção de rolamento mais suave em terreno pedregoso.

Possíveis desvantagens das rodas maiores:

  • Momento de inércia: rodas maiores têm maior momento de inércia rotacional. Isso significa que acelerar do zero é mais custoso — uma desvantagem especialmente relevante em corridas de XCO, que exigem arrancadas explosivas repetidas.
  • Massa total do conjunto: pneus e aros de 32″ naturalmente pesam mais do que versões equivalentes em 29″. Com um ecossistema ainda em desenvolvimento, as opções leves são escassas.
  • Desafios de geometria de quadro: acomodar uma roda traseira de 686 mm dentro de um quadro de XC é significativamente mais complexo. Isso afeta o comprimento do chainstay, o espaço disponível para suspensão, o ponto de pivô e a posição do ciclista — especialmente em quadros menores.
  • Agilidade em curvas fechadas: rodas maiores respondem de forma diferente em curvas técnicas, com menor agilidade em mudanças de direção rápidas.
  • Disponibilidade de componentes: aros, pneus, garfos e câmaras compatíveis com 32″ ainda são raros e caros.

Importante: as vantagens listadas acima são baseadas em princípios físicos e nos primeiros relatos de testes. Não há estudos publicados nem dados de desempenho oficiais que permitam afirmar que o aro 32 é mais rápido que o 29 em condições reais de competição de XCO.

Comparativo: aro 29″ × aro 32″

Característica Aro 29″ Aro 32″
Diâmetro ETRTO 622 mm 686 mm
Transposição de obstáculos Boa Potencialmente melhor
Massa e inércia rotacional Menor Maior
Aceleração Melhor Mais custosa
Manutenção de velocidade Boa Potencialmente melhor
Agilidade em curvas Maior Menor
Espaço necessário no quadro Estabelecido Exige adaptação significativa
Disponibilidade de componentes Ampla Ainda limitada
Situação no mercado Consolidado Experimental / em desenvolvimento
Uso em competição de elite Dominante Primeiros protótipos

Aro 32 pode favorecer ciclistas mais altos?

A experiência da equipe Scott em Soldier Hollow fornece um dado empírico interessante: os pilotos que escolheram o protótipo 32″ foram exatamente os mais altos da equipe — Fabio Püntener (193 cm) e Filippo Colombo (184 cm). Os ciclistas de estatura menor mantiveram o 29″.

Isso não é coincidência geométrica. Quadros maiores têm, naturalmente, mais espaço interno para acomodar rodas de maior diâmetro. Os principais desafios geométricos do aro 32 são:

  • Toe overlap: a roda dianteira maior fica mais próxima dos pés do ciclista em curvas acentuadas. Em quadros pequenos, isso pode se tornar um problema funcional sério.
  • Altura do ponto frontal do quadro: com a roda mais alta, o bottom bracket e a posição do ciclista precisam ser recalculados para manter a ergonomia correta.
  • Comprimento do chainstay: a roda traseira de 686 mm exige chainstays mais longos, o que pode comprometer a agilidade geral da bicicleta.
  • Curso de suspensão e cinemática: o amortecedor traseiro e o garfo precisam ser recalibrados para trabalhar com o novo diâmetro sem comprometer a progressividade da suspensão.

Nenhum fabricante definiu publicamente uma altura mínima de ciclista ou tamanho mínimo de quadro para o aro 32. O que os dados de Soldier Hollow sugerem é que, no estágio atual de desenvolvimento, ciclistas mais altos são os candidatos naturais para os primeiros testes em competição.

Aro 32 vai substituir o aro 29?

A história do MTB sugere cautela na resposta a essa pergunta.

A transição do aro 26 para o 29 levou mais de uma década para se completar. No meio do caminho, o 27,5 (ou 650B) surgiu como uma alternativa que muitos acreditavam seria o tamanho definitivo — especialmente para ciclistas menores. Hoje, o 29 domina o XCO de elite de forma praticamente absoluta.

Para que o aro 32 se tornasse o novo padrão, seria necessário um processo similar ao que o 29 percorreu:

  • Desenvolvimento de pneus leves e competitivos em múltiplas versões (duro, semislick, para lama)
  • Aros em carbono com peso competitivo
  • Geometrias de quadro otimizadas — não apenas adaptadas
  • Garfos com 100 mm de curso em 32″, leves e rígidos o suficiente para XCO
  • Amortecedores traseiros com cinemática recalculada
  • Validação em competição de alto nível por uma temporada completa

O que torna a pauta de 2026 relevante é justamente o fato de que vários desses elementos estão começando a aparecer ao mesmo tempo: protótipos de quadro (Trek, Scott, KTM), pneus (Schwalbe, Pirelli), rodas (Mavic) e garfos (RockShox SID) — tudo no mesmo ciclo. Quando um ecossistema começa a se montar dessa forma, vale prestar atenção.

Mas ainda é cedo para afirmar que o aro 32 substituirá o 29. O que está acontecendo agora é experimentação de alto nível — e o resultado dessa experimentação pode ser uma nova categoria dominante, um nicho para ciclistas altos ou simplesmente um caminho que a indústria testou e descartou.

Quando poderemos comprar uma MTB aro 32?

Nenhuma marca confirmou uma data de lançamento para uma MTB 32″ voltada ao consumidor. Trek e Scott têm protótipos; não têm produtos.

O indicador mais concreto de cronograma vem da Schwalbe: pneus MTB de 32″ estão programados para abril de 2027. Se as bicicletas vierem antes dos pneus, não terão com o que rodar. Se os pneus chegarem sem as bikes, virarão item de nicho ou opção de upgrade para quem modificar um quadro.

O mais provável é que 2027 marque o início de uma fase de produtos mais estruturados — mas a maturidade que o aro 29 tem hoje levou anos para ser construída. Se você está pensando em calibrar sua pressão de pneus para o próximo trail, a Calculadora de Pressão do Bike Rolê já aceita qualquer diâmetro — e você pode aprofundar a leitura sobre como o tamanho da roda afeta a pressão ideal no artigo sobre qual pressão usar nos pneus da sua bike.

E o gravel?

O mercado de gravel está adotando pneus cada vez mais largos. O Canyon Grail Gen 3 aceita até 57 mm; a Factor Elara foi projetada para os mesmos 57 mm. Nesse contexto, rodas de 32″ com pneus de 50 ou 55 mm representam uma combinação de diâmetro maior e largura significativa.

A Schwalbe não à toa estreou o G-One RS Pro e o G-One RX Pro no segmento de gravel, não no MTB. Isso sugere que o gravel pode ser o terreno de adoção mais rápida para as rodas 32″ — com geometrias de quadro mais longas e chassis que naturalmente acomodam diâmetros maiores sem os compromissos de uma bicicleta de XCO. O MTB fica como o laboratório de desempenho extremo. O gravel pode ser onde o formato ganha escala mais rapidamente.


Fontes: road.cc/off-road, Escape Collective, Pinkbike, BikeRadar, Bikerumor, Canadian Cycling Magazine, Schwalbe, UCI.

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