Van Rysel RCR-XC protótipo com rodas de 32 polegadas — bike de XC full-suspension do Decathlon Ford Racing
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Bike da Semana: Van Rysel RCR-XC aposta em rodas de 32 polegadas para revolucionar o MTB

A Van Rysel — marca de ciclismo da Decathlon — acaba de revelar uma das apostas mais ousadas do mountain bike de competição nos últimos anos: a RCR-XC, um protótipo de XC full-suspension construído em torno de rodas de 32 polegadas. Um diâmetro que não existe nas prateleiras, não é reconhecido pela UCI como padrão e ainda depende de componentes desenvolvidos sob medida. E é exatamente aí que está a aposta.

A bike ainda está em fase de pré-produção. O Decathlon Ford Racing vai usá-la na temporada 2027 de Copa do Mundo de XCO, com corredores como Luca Martin, Samara Maxwell e Savilia Blunk. Até lá, os dados que a Van Rysel divulgou são suficientes para entender o que a marca está tentando fazer — e por que o setor está prestando atenção.

O que é a Van Rysel RCR-XC?

A RCR-XC é a bicicleta de XC full-suspension da Van Rysel desenvolvida para o nível mais alto da competição internacional. O projeto foi concebido em colaboração com o Decathlon Ford Racing e com parceiros técnicos como Zipp (rodas), Vittoria (pneus) e Deda (guidão/mesa integrada).

O ponto central do projeto é o uso de rodas de 32 polegadas — um tamanho que fica entre o padrão 29″ consolidado no XC profissional e o que seria um 30″ ou 31″. A proposta é capturar os ganhos de rolamento e estabilidade de rodas maiores sem o custo aerodinâmico e de peso que acompanha aumentos de diâmetro mais agressivos.

Tudo ainda é protótipo. Não há preço confirmado, não há data de lançamento comercial e não há homologação UCI. A Van Rysel optou por tornar o projeto público agora para construir expectativa e coletar feedback do setor antes de 2027.

Por que 32 polegadas?

A pergunta mais óbvia sobre a RCR-XC é: por que não simplesmente usar 29″?

A lógica das rodas maiores no XC não é nova. Desde que o 29″ substituiu o 26″ como padrão no mountain bike profissional, a indústria entende que rodas de maior diâmetro rolam sobre obstáculos com mais eficiência, mantêm velocidade em terrenos irregulares e oferecem maior estabilidade em descidas. A desvantagem clássica é peso e resposta lenta em acelerações.

A Van Rysel argumenta que o passo de 29″ para 32″ é menor do que o de 26″ para 29″ — e que a diferença de diâmetro é suficiente para trazer ganhos reais de rolamento e ângulo de ataque sobre obstáculos, sem os problemas estruturais de uma roda muito grande. Os números que a marca apresenta apontam para 15,5 W a menos de resistência aerodinâmica a 35 km/h em comparação com a bike de equipe de 29″ de 2026 — medição feita no túnel de vento da própria Van Rysel, não por fonte independente.

O 32″ também permite que a geometria do quadro mude: com rodas maiores, é possível usar ângulos de head tube mais agressivos mantendo a altura de bottom bracket — um equilíbrio que os engenheiros buscam em bikes de XC modernas para melhorar estabilidade em alta velocidade sem sacrificar manobrabilidade.

Quadro: Super High Mod Carbon

O quadro da RCR-XC usa carbono Super High Mod — a categoria de maior módulo de elasticidade disponível no mercado, com fibras de altíssima rigidez e baixo peso específico. É o mesmo tipo de material presente nas melhores bikes de XC e estrada do mercado.

A Van Rysel confirma que o quadro tamanho M da RCR-XC pesa 230 gramas a menos do que a bike de equipe de 29″ que o Decathlon Ford Racing usou em 2026. Nenhum peso absoluto foi divulgado.

A traseira usa suspensão de pivô único com flex-stay — uma solução que elimina rolamentos traseiros substituindo-os por uma área de carbono que flexiona de forma controlada. A vantagem é menos peso e menos peças para manutenção. A desvantagem histórica dessa abordagem é sensibilidade às cargas de pedalada, que os projetos mais modernos de flex-stay têm conseguido mitigar bem.

O curso traseiro não foi divulgado oficialmente.

Suspensão traseira flex-stay Van Rysel RCR-XC
A traseira usa pivô único com flex-stay. Crédito: Van Rysel / Decathlon

Suspensão: o garfo que ainda não existe

A suspensão frontal é um dos pontos mais interessantes do projeto — e também o mais incerto. A RCR-XC usa um garfo RockShox SID Ultimate Flight Attendant desenvolvido especificamente para rodas de 32 polegadas. Um garfo que, até a divulgação da bike, não existe comercialmente.

O curso é de 130 mm — mais do que os 100–120 mm típicos do XC profissional moderno. A Van Rysel justifica essa escolha pela necessidade de manter a geometria coerente com rodas maiores: com 32″, um curso mais longo é necessário para manter o ângulo de head tube dentro dos parâmetros desejados sem comprometer o stack e o reach da bike.

O Flight Attendant é o sistema de ajuste eletrônico de suspensão da RockShox, que adapta automaticamente a compressão do garfo com base nos dados de movimento da bike. A versão para 32″ ainda está em desenvolvimento junto com a Decathlon Ford Racing.

Garfo RockShox SID Ultimate 32 polegadas Van Rysel RCR-XC
O garfo RockShox SID Ultimate Flight Attendant foi desenvolvido especificamente para rodas de 32″. Crédito: Van Rysel / Decathlon

Componentes e parceiros de desenvolvimento

A Van Rysel revelou os principais parceiros técnicos da RCR-XC:

Zipp fornece as rodas, desenvolvidas exclusivamente para o diâmetro de 32 polegadas. A largura interna dos aros é de 32 mm — valores que acompanham a tendência de aros mais largos para maior volume de pneu e estabilidade em terrenos difíceis. Não há informação sobre peso ou especificações de cubo.

Vittoria é parceira de desenvolvimento para os pneus. A empresa italiana está desenvolvendo compostos e estruturas específicas para o 32″ — um trabalho que vai além de simplesmente escalar um pneu existente, já que o diâmetro diferente afeta a forma como o pneu deforma e distribui a pressão de contato.

Deda colaborou no desenvolvimento do guidão e mesa integrada, com sistema de rise negativo. A integração reduz o número de peças externas e tem impacto aerodinâmico e estético — mas a Van Rysel não divulgou dados específicos dessa colaboração.

Aerodinâmica: o que os números dizem (e o que não dizem)

O dado aerodinâmico mais citado sobre a RCR-XC é a redução de 15,5 W a 35 km/h em relação à bike de equipe 29″ de 2026. É um número expressivo — no ciclismo profissional, 15 W fazem diferença em provas decididas por segundos.

É importante contextualizar: essa medição foi feita no túnel de vento da própria Van Rysel, não por laboratório independente. As condições de teste não foram divulgadas — posição do piloto, configuração de componentes, método de comparação. Isso não invalida o número, mas significa que ele deve ser tratado como dado da marca, não como benchmark comparativo com outras bikes do mercado.

O que contribui para o ganho aerodinâmico? A marca aponta para o quadro redesenhado, o guidão/mesa integrado e, possivelmente, para a geometria mais longa e baixa que as rodas de 32″ permitem. O aumento de diâmetro das próprias rodas, em tese, aumentaria a resistência aerodinâmica — o ganho líquido, portanto, vem de outras partes do conjunto.

Ficha técnica (dados confirmados)

EspecificaçãoDetalhe
QuadroSuper High Mod Carbon, pivô único com flex-stay
Suspensão dianteiraRockShox SID Ultimate Flight Attendant 32″ — 130 mm
Curso traseiroNão informado oficialmente
RodasZipp 32″ (32 mm de largura interna)
PneusVittoria (desenvolvimento exclusivo para 32″)
Guidão/MesaSistema integrado com rise negativo (parceria Deda)
Peso do quadro230 g mais leve que a bike 29″ de equipe 2026 (tam. M)
Peso totalNão informado oficialmente
GeometriaNão divulgada
PreçoNão anunciado
DisponibilidadeNão confirmada (pré-produção)
Status UCISem homologação para 32″ (regulamentação a confirmar)

A equipe que vai correr com ela

O Decathlon Ford Racing vai estrear a RCR-XC na Copa do Mundo de XCO de 2027. Os nomes confirmados pela Van Rysel são:

Luca Martin — ciclista francês de XCO com experiência em Copa do Mundo, parte do projeto jovem da equipe.

Samara Maxwell — neozelandesa radicada na Europa, com resultados expressivos no circuito de XCO feminino.

Savilia Blunk — americana campeã nacional dos Estados Unidos, um dos nomes mais fortes do XCO feminino internacional.

A escolha de estrear a bike em 2027 — e não em 2026 — reflete o estágio atual do projeto: o garfo RockShox para 32″ ainda está em desenvolvimento, os pneus Vittoria estão sendo testados e a regulamentação da UCI para esse diâmetro precisa ser resolvida antes da temporada de competições.

Comparativo: 29 polegadas vs 32 polegadas no XC profissional

29 polegadas32 polegadas (RCR-XC)
Padrão do mercadoConsolidadoExclusivo (pré-produção)
Ângulo de ataque em obstáculosAltoMaior
Resistência de rolamentoReferênciaPotencialmente menor
Peso das rodasLeveA confirmar
Disponibilidade de pneusAmplaDesenvolvimento exclusivo
Homologação UCISimAguardando confirmação
Bike de referênciaSpecialized Epic, Trek SupercaliberVan Rysel RCR-XC
Van Rysel RCR-XC vista lateral estúdio
Van Rysel RCR-XC em perfil. Rodas Zipp 32″, pneus Vittoria de desenvolvimento exclusivo. Crédito: Van Rysel / Decathlon

O que ainda falta saber

A Van Rysel revelou o suficiente para posicionar a RCR-XC como um projeto ambicioso — e o suficiente para deixar perguntas importantes sem resposta.

O curso traseiro não foi divulgado, o que dificulta entender a cinemática completa da suspensão. A geometria não foi publicada — sem os ângulos, a altura de bottom bracket e o stack e reach, é impossível avaliar como a bike se comporta no terreno. O peso total da bike montada não foi informado, o que torna difícil comparar com concorrentes como a Specialized Epic ou a Trek Supercaliber. E a regulamentação UCI para o diâmetro de 32″ ainda precisa ser confirmada — sem homologação, a bike não pode ser usada em competições oficiais.

Isso não diminui o interesse do projeto. Quando uma grande marca aposta num diâmetro de roda inédito, com parceiros como Zipp, Vittoria e RockShox desenvolvendo componentes sob medida, o setor presta atenção. A temporada 2027 vai mostrar se o 32″ vira tendência ou fica como experimento de equipe de fábrica.

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